O Oregon, localizado no noroeste do Pacífico nos Estados Unidos, é famoso por suas paisagens deslumbrantes e valores progressistas.
Conhecido por seu litoral acidentado, florestas densas e montanhas vulcânicas, o estado oferece uma rica combinação de beleza natural e dinamismo urbano.
O Oregon abriga cidades icônicas como Portland, Eugene e Salem (capital do estado), cada uma com sua importância cultural e econômica.
Apesar de sua diversidade econômica, o Oregon (como muitos estados nos EUA) tem enfrentado uma escassez de mão de obra que está transformando o panorama da sua força de trabalho e economia.
Existem apenas 66 trabalhadores disponíveis para cada 100 vagas de emprego abertas.
Com 111.000 vagas de emprego e apenas 73.506 trabalhadores desempregados, a taxa de participação da força de trabalho do estado é de 61,7%, e a taxa de desemprego é de 3,4%.
O índice de demissão voluntária no Oregon é de 2,3%, enquanto o índice de contratação é de 3,5%.
A escassez de mão de obra no Oregon não é novidade, mas diversos fatores convergentes a agravaram – principalmente durante e após a pandemia de COVID-19.
Após a pandemia, a economia do Oregon está passando por uma boa fase, como indicam os dados do relatório.
A previsão é de que esse crescimento do emprego aumente em 10% na próxima década.
A pandemia desestabilizou as economias globais, provocando uma desaceleração econômica, fechamento de empresas e demissões em massa.
À medida que a economia iniciou sua recuperação, as empresas estavam ansiosas para reabrir e crescer.
Um dos principais fatores que contribuem para a escassez de mão de obra é a mudança demográfica.
À medida que os trabalhadores mais velhos se aposentam, há menos trabalhadores jovens para substituí-los.
A taxa de natalidade nos EUA vem diminuindo, o que significa que um número menor de novos trabalhadores entra no mercado de trabalho a cada ano.
O crescimento populacional do Oregon vem diminuindo consideravelmente desde meados da década de 2010, limitando ainda mais a oferta de mão de obra.
Historicamente, a imigração tem sido fundamental para complementar a força de trabalho do Oregon, principalmente nos setores agrícola, da construção civil e de serviços.
A escassez de mão de obra no Oregon não é uniforme em todas as indústrias.
Alguns setores foram mais afetados do que outros, principalmente aqueles que exigem trabalho manual ou funções de atendimento ao público.
O setor da construção civil, por exemplo, registrou uma grave escassez de mão de obra qualificada.
Com o crescimento populacional do Oregon e a expansão de cidades como Portland, a demanda por novas moradias e infraestrutura aumentou.
Os profissionais da saúde estiveram na linha de frente durante a pandemia, enfrentando enorme estresse e esgotamento.
Muitos abandonaram o setor completamente, enquanto outros reduziram suas horas de trabalho ou migraram para funções menos exigentes.
Com o envelhecimento da população do estado, a demanda por serviços de saúde está crescendo. No entanto, a oferta de profissionais não está acompanhando o ritmo.
Os hospitais e as clínicas em todo o estado relatam falta de pessoal, principalmente de enfermeiros(as), levando a um aumento nos tempos de espera e redução do acesso à assistência em algumas áreas.
Outro setor que enfrenta uma escassez considerável de mão de obra é o de hospitalidade e serviços.
O setor turístico do Oregon, impulsionado por sua beleza natural e suas atrações, contribui de forma significativa para a economia do estado.
Os hotéis, restaurantes e empresas de lazer têm enfrentado dificuldades para contratar funcionários.
Muitos trabalhadores demitidos durante a pandemia ainda não retornaram, alegando preocupações com a estabilidade no emprego, baixos salários e más condições de trabalho.
Isso resultou na redução de horas de funcionamento, atrasos nos serviços e até mesmo fechamento de alguns estabelecimentos, principalmente em áreas turísticas como o litoral do Oregon e a região vinícola.
O Oregon tem sofrido com inúmeros novos incêndios devido às altas temperaturas, ventos fortes e tempestades com raios, principalmente no centro e sudeste do estado.
A atual escassez nacional de bombeiros tem dificultado a contenção de grandes incêndios florestais no oeste dos Estados Unidos.
O Oregon dispõe de menos equipes federais acessíveis para solicitação de assistência.
O Departamento Florestal do Oregon protege as terras estaduais e as propriedades privadas de proprietários que pagam por seus serviços de combate a incêndios.
Este ano, apenas 93% dos incêndios foram contidos em 4 hectares ou menos.
A pandemia alterou consideravelmente a visão das pessoas sobre trabalho e emprego, e o Oregon não é exceção.
Uma das mudanças mais notáveis é a alteração nas prioridades dos trabalhadores, principalmente entre as gerações mais jovens.
Muitos trabalhadores reavaliaram seu equilíbrio entre vida pessoal e profissional, passando a buscar empregos que ofereçam maior flexibilidade, opções de trabalho remoto e melhor remuneração.
O setor de tecnologia do Oregon, concentrado na “Floresta do Silício” ao redor de Portland, tem enfrentado menos problemas com a escassez de mão de obra, em parte porque muitos trabalhos na área de tecnologia podem ser realizados remotamente.
Os setores que dependem do trabalho presencial, como varejo, hotelaria e saúde, têm precisado de ajuda para se adaptar a essas novas preferências dos trabalhadores.
A pandemia levou a um aumento nas aposentadorias precoces.
Muitos trabalhadores mais velhos, próximos da idade de aposentadoria, optaram por deixar o mercado de trabalho mais cedo em vez de retornar a empregos que representassem riscos à saúde ou exigissem adaptação a novas tecnologias e novos ambientes de trabalho.
Essa onda de aposentadorias contribuiu consideravelmente para a escassez de mão de obra no Oregon, principalmente em setores onde os trabalhadores mais velhos representam uma parcela expressiva da força de trabalho, como saúde e educação.
Muitos trabalhadores aproveitaram a pandemia para migrar para novas carreiras ou investir em formação e treinamento, deixando déficits em setores que dependem de trabalhadores de nível básico com salários mais baixos.
A escassez de mão de obra no Oregon tem amplas consequências para a economia do estado.
Empregadores em todo o estado, principalmente em setores com dificuldades para atrair trabalhadores, aumentaram os salários e passaram a oferecer bônus de contratação a fim de competir por uma força de trabalho cada vez menor.
Embora isso seja uma boa notícia para os trabalhadores, essas medidas impuseram uma pressão financeira adicional sobre as pequenas empresas e aquelas que atuam com margens de lucro reduzidas.
Muitas empresas precisaram aumentar os preços para cobrir os custos trabalhistas mais altos, contribuindo para a inflação.
O mercado imobiliário também sentiu o impacto da escassez de mão de obra.
O setor de construção civil precisa de ajuda para encontrar trabalhadores suficientes, e o lançamento de novos empreendimentos imobiliários diminuiu, agravando ainda mais as pressões do mercado imobiliário.
Isso causou um aumento nos preços dos imóveis e dos aluguéis, principalmente em áreas urbanas como Portland.
Às vezes, os atrasos na construção civil fazem com que projetos fiquem inacabados durante meses, o que exerce uma pressão ainda maior sobre a disponibilidade de moradias.
Essas são algumas abordagens essenciais para ajudar a aliviar a escassez de mão de obra:
- Aumento salarial e melhoria das condições de trabalho
Um dos métodos mais diretos para atrair trabalhadores não qualificados consiste em oferecer melhor remuneração e melhorar as condições de trabalho.
Normalmente, os salários baixos e condições precárias afastam funcionários em potencial nos setores com maior escassez de mão de obra.
Ao aumentar os salários para torná-los mais competitivos com outros setores ou estados vizinhos, as empresas podem atrair um leque maior de trabalhadores.
O salário mínimo no Oregon deverá aumentar em todos os condados em 1º de julho de 2025.
A disponibilização de benefícios como planos de saúde, férias remuneradas e planos de aposentadoria pode tornar essas vagas ainda mais atraentes.
Garantir a segurança do ambiente de trabalho e aplicar tecnologias para reduzir a necessidade de esforço físico nas tarefas pode aumentar a satisfação e a retenção de trabalhadores, ajudando a aliviar a escassez nos setores de varejo, hospitalidade e agricultura.
- Recrutamento no exterior
Os empregadores no Oregon podem usar o programa de visto EB-3 para lidar com a escassez de mão de obra através do patrocínio de trabalhadores estrangeiros, inclusive para cargos não qualificados.
Este programa permite que as empresas preencham vagas permanentes nos setores de agricultura, hospitalidade e construção, que costumam demandar mais trabalhadores locais.
Segundo previsão do Comissário Estadual do Trabalho, Hoff, haverá uma possível escassez de trabalhadores sazonais nos pomares e plantações de frutas vermelhas do Oregon este ano. No entanto, ele continua otimista em relação à situação geral da mão de obra agrícola.
O comissário prevê uma escassez de mão de obra entre 15% a 35%.
Ao patrocinar trabalhadores pelo programa EB-3 e colaborar com especialistas em imigração como a EB3.Work, as empresas atendem às necessidades imediatas de mão de obra e ajudam os trabalhadores estrangeiros a obter residência permanente, oferecendo uma solução de longo prazo para a escassez de mão de obra.
- Fortalecer programas de formação profissional e treinamento
A expansão dos programas de formação profissional e disponibilização de treinamento prático pode ajudar a criar um fluxo constante de trabalhadores não qualificados, preparados para ingressar em setores com escassez de mão de obra.
Ao colaborar com faculdades, escolas técnicas e outros provedores de treinamento locais, as empresas podem desenvolver programas remunerados que capacitem os trabalhadores com habilidades essenciais.
Essa abordagem torna os empregos mais acessíveis e permite que os trabalhadores adquiram experiência enquanto são remunerados.
Setores como construção civil, produção industrial e assistência à saúde são especialmente adequados para essas iniciativas, pois exigem habilidades técnicas específicas que podem ser aprendidas através de treinamentos estruturados.
A oferta de oportunidades de certificação pode ajudar ainda mais na retenção de trabalhadores e proporcionar aos mesmos um caminho claro para o avanço na carreira.
- Recrutamento de setores sub-representados
Outra estratégia eficaz consiste em expandir os esforços de recrutamento para grupos sub-representados, incluindo mulheres, minorias e ex-presidiários.
Esses grupos costumam ser ignorados nos setores da construção civil, agricultura e varejo, que enfrentam escassez de mão de obra.
Ao formar parcerias com organizações comunitárias e sem fins lucrativos focadas na inserção profissional dessas populações, os empregadores podem se conectar com trabalhadores em potencial que, de outra forma, poderiam ser desconsiderados.
A redução das barreiras ao emprego, através de medidas como auxílio-creche, auxílio-transporte ou horários de trabalho flexíveis, também pode tornar essas vagas mais acessíveis.
Os programas de mentoria e apoio adicional, como a formação de competências, podem ajudar a reter trabalhadores de origens sub-representadas, levando a uma força de trabalho mais diversificada e estável.
No Oregon, 21% das mulheres trabalhadoras ganham menos de US$ 17 por hora, enquanto o mesmo ocorre com 14% dos homens trabalhadores.
Cerca de 24% dos trabalhadores negros e 26% dos hispânicos no estado ganham menos de US$ 17 por hora, em contraste com aproximadamente 17% dos trabalhadores brancos.
Dezesseis por cento (16%) dos trabalhadores asiático-americanos e indígenas americanos no Oregon ganham menos de US$ 17 por hora.
- Oferecer incentivos à realocação
Os incentivos à relocação podem ser atraentes para trabalhadores de outros estados ou regiões dispostos a se mudar para o Oregon em busca de oportunidades de emprego.
Ao oferecer assistência financeira para custos de mudança, moradia temporária ou bônus de contratação, é possível facilitar a transição dos trabalhadores e tornar o Oregon um lugar mais atraente para viver e trabalhar.
Por exemplo, os empregadores podem cobrir o custo da mudança para trabalhadores dispostos a se mudar para áreas rurais do Oregon, onde a escassez de mão de obra é especialmente acentuada.
Também pode-se oferecer acomodações temporárias ou bônus de relocação a trabalhadores de outros estados.
Um fator que contribui para essa necessidade é o envelhecimento da população.
O número de pessoas com 65 anos ou mais na região aumentará consideravelmente até 2044.
A colaboração com os governos locais e estaduais para oferecer incentivos fiscais a trabalhadores relocados pode aprimorar ainda mais essa estratégia, ajudando a atrair uma força de trabalho altamente necessária para setores como construção civil, agricultura e varejo.
Resumindo
A escassez de mão de obra no Oregon é um problema complexo, impulsionado por mudanças demográficas, desestruturações relacionadas à pandemia e mudanças nas preferências dos trabalhadores.
Embora apresente desafios, essa situação também permite que o estado reconsidere sua abordagem para o desenvolvimento da força de trabalho e crie um mercado de trabalho mais resiliente e adaptável para o futuro.
A aplicação do programa de visto EB-3, a oferta de treinamentos e programas de formação profissional, além da melhoria dos salários e das condições de trabalho são apenas algumas das estratégias que podem ajudar as empresas a atrair e reter os trabalhadores necessários.
A combinação desses esforços com o recrutamento voltado às comunidades sub-representadas e a oferta de incentivos à relocação podem ampliar ainda mais a força de trabalho, garantindo que as indústrias do Oregon continuem a prosperar apesar dos desafios persistentes.












